Ciência e Tecnologia: O uso da geocodificação para combater a dengue no Distrito Federal
A vigilância epidemiológica ganhou um novo aliado no Distrito Federal. Um estudo recente demonstrou como técnicas avançadas de geocodificação podem transformar endereços em dados estratégicos para o controle e monitoramento contínuo dos casos de dengue registrados no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan).
O trabalho foi desenvolvido pelos pesquisadores:
- Lucas C. Sanglard: Ministério da Saúde, Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente, Brasília, Brasil.
- Klauss K. S. Garcia: Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres, Departamento de Epidemiologia de Doenças Infecciosas e Saúde Internacional, Faculdade de Epidemiologia e Saúde Populacional, Reino Unido.
- Walter Massa Ramalho: Centro de Medicina Tropical de Brasília, Universidade de Brasília, Brasil.
O "Apagão" dos Endereços
O ponto mais surpreendente revelado pelos pesquisadores Lucas Carvalho Sanglard, Klauss K. S. Garcia e Walter Massa Ramalho refere-se a completude e a fragilidade dos dados oficiais. A partir da análise de mais de 18 mil notificações de dengue registradas no Sinan, descobriram que apenas 0,6% dos registros apresentavam informações no campo CEP devidamente preenchidas e corretas. Essa inconsistência no preenchimento dos formulários de investigação de casos de dengue gera um efeito dominó: os profissionais do setor saúde ficam impossibilitados de realizarem análises espaciais completas, limitando a capacidade de direcionar ações de controle vetorial devido à dificuldade de identificar áreas prioritárias para intervenção.
A Batalha das Ferramentas: Google vs. ArcGIS
Para superar essa barreira, a pesquisa comparou a Google Maps API, o ArcGIS, o OpenStreetMap (OSM) e a base do IBGE (CNEFE).
O Google Maps foi o mais rápido e preciso, com 17,6% de acurácia mesmo com dados de baixa qualidade.
O serviço ArcGIS, embora tenha processado todos os dados, apresentou erros grosseiros, chegando a localizar casos de Brasília em outros estados brasileiros e até no México.
Os endereços do Cadastro Nacional de Endereços para Fins Estatísticos (CNEFE /IBGE), utilizando técnicas probabilísticas, provou ser a melhor opção gratuita, mostrando-se viável para prefeituras com orçamentos limitados.
Mapas de Calor e Decisão Estratégica
Mesmo com as dificuldades técnicas, o estudo provou que o uso inteligente de geoprocessamento consegue identificar “hotspots” (áreas críticas) em regiões periféricas e densamente povoadas. Para tornar esses dados acessíveis, os autores criaram um painel interativo (Dashboard) que permite comparar visualmente os métodos e os focos da doença.