Ciência e Tecnologia: O uso da geocodificação para combater a dengue no Distrito Federal

A vigilância epidemiológica ganhou um novo aliado no Distrito Federal. Um estudo recente demonstrou como técnicas avançadas de geocodificação podem transformar endereços em dados estratégicos para o controle e monitoramento contínuo dos casos de dengue registrados no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan).

O trabalho foi desenvolvido pelos pesquisadores:

Pesquisa detalha como falhas em endereços dificultam o combate ao mosquito e propõe o uso de tecnologia móvel para salvar vidas na capital.
BRASÍLIA – A precisão de um mapa pode ser a diferença entre o sucesso e o fracasso de uma ação de combate à dengue. Um estudo inovador publicado em 2 de setembro de 2025 na revista científica Geospatial Health testou quatro grandes serviços de geolocalização para entender qual deles é o mais eficaz para o desenvolvimento de ações de vigilância epidemiológica no Distrito Federal.

O "Apagão" dos Endereços

O ponto mais surpreendente revelado pelos pesquisadores Lucas Carvalho Sanglard, Klauss K. S. Garcia e Walter Massa Ramalho refere-se a completude e a fragilidade dos dados oficiais. A partir da análise de mais de 18 mil notificações de dengue registradas no Sinan, descobriram que apenas 0,6% dos registros apresentavam informações no campo CEP devidamente preenchidas e corretas. Essa inconsistência no preenchimento dos formulários de investigação de casos de dengue gera um efeito dominó: os profissionais do setor saúde ficam impossibilitados de realizarem análises espaciais completas, limitando a capacidade de direcionar ações de controle vetorial devido à dificuldade de identificar áreas prioritárias para intervenção.

A Batalha das Ferramentas: Google vs. ArcGIS

Para superar essa barreira, a pesquisa comparou a Google Maps API, o ArcGIS, o OpenStreetMap (OSM) e a base do IBGE (CNEFE).

O Google Maps foi o mais rápido e preciso, com 17,6% de acurácia mesmo com dados de baixa qualidade.

O serviço ArcGIS, embora tenha processado todos os dados, apresentou erros grosseiros, chegando a localizar casos de Brasília em outros estados brasileiros e até no México.

Os endereços do Cadastro Nacional de Endereços para Fins Estatísticos (CNEFE /IBGE), utilizando técnicas probabilísticas, provou ser a melhor opção gratuita, mostrando-se viável para prefeituras com orçamentos limitados.

Mapas de Calor e Decisão Estratégica

Mesmo com as dificuldades técnicas, o estudo provou que o uso inteligente de geoprocessamento consegue identificar “hotspots” (áreas críticas) em regiões periféricas e densamente povoadas. Para tornar esses dados acessíveis, os autores criaram um painel interativo (Dashboard) que permite comparar visualmente os métodos e os focos da doença.

O Futuro: Tablets no Combate ao Mosquito

A principal recomendação dos autores é a modernização imediata: o uso de tablets e smartphones por agentes de saúde para capturar as coordenadas geográficas no momento da visita, eliminando erros de digitação e garantindo respostas em tempo real.
O projeto, financiado pelo CNPq, já é um sucesso de público no meio científico, com muitos downloads.

Quer ver os mapas de calor e testar a ferramenta interativa?